‘’Com meu diário, quero dizer que pretendo ir mais adiante; não posso me imaginar vivendo como mamãe e todas aquelas mulheres que cumprem suas obrigações e mais tarde são esquecidas. Eu preciso ter algo mais que um marido e filhos, algo que possa me devotar totalmente. Quero continuar vivendo depois da minha morte. ‘’ – Anne Frank
domingo, 7 de outubro de 2012
Duas horas de flores
Parei de pensar em mim, comecei a pensar só em você, e então comecei a pensar em nós, e o nós sempre fez mais sentido pra mim. O nós sempre me agradou mais. Será que também é simples assim pra você? Juntar e imaginar coisas cotidianas e indiferentes que fazemos eu aqui e você ali, mas que seriam boas lembranças se fossem feitas por nós. Juntar nossos caminhos, nossas tralhas, nossos medos e desejos. Juntar minha bagunça na tua. A bagunça do quarto, da casa, da alma e da mente. Tudo seriam flores nas primeiras duas horas, porem no pacote do ‘Nós’ viriam também as olheiras não disfarçadas por maquiagem, os nós no cabelo de manhã, as manias chatas, as unhas ruídas, o péssimo gosto pra música. O feijão ruim, a completa ausência de talento com saladas e com o que não é salada também. O egoísmo com as cobertas, o egoísmo com a internet, o egoísmo com a xícara de café. Eu gritaria sem motivos e te odiaria por cinco minutos ou menos, pois seria o máximo que eu aguentaria. Brigaria com você sem te olhar nos olhos, pois sei que perderia minha pose de mandona encarando teu olhar, teu sorriso sarcástico que me faz perder o foco da discussão. Você perderia a paciência tentando me ensinar a jogar vídeo game, futebol de botão, sinuca, baralho. Mas veja bem, tudo seriam flores nas duas primeiras horas apenas, porem nas outras vinte e duas seriam eu e você sendo nós e, sinceramente? Fodam-se as flores se o Nós tiver presente.
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