segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Começo do começo

Sabe aquela ansiedade pré-aniversário? Aquele frio na barriga esperando pelo dia que é seu, que te faz especial de certo modo, que (quase) todos vão lembrar de ti? Pois é, tudo isso já foi maior, já fez muita diferença. Gostava da época que tudo que me preocupava era quantos presentes ganharia, quantos amigos viriam na minha festa e todas essas coisinhas que tornavam meu mundo mágico de criança muito mais interessante. Agora paro pra pensar, será que to velha demais pra isso? Será que está tudo perdendo o encanto? Ter 16, 17 anos é engraçado, tudo é um exagero. Um oi mal dado, um abraço mais frouxo, uma mensagem não respondida, é como se fosse o fim do mundo. Mas é ai que tá, o que fazer então? QUEM ser? Se é velho demais pra certas coisas e ao mesmo tempo novo demais para outras tantas. A gente fica meio perdido, meio fora do lugar e acho que é exatamente isso. Deixar de ser criança e passar para a ‘’fase adulta’’ é buscar seu lugar no mundo, achar um jeito de fazer as pessoas te notarem, notarem que você é alguém diferente do que foi um dia, mesmo que esse dia tenha sido ontem ou mês passado. Às vezes me pergunto se já obtive essas experiências de vida das quais tanto falam, será que já vivi o suficiente pra isso? O que exatamente eu terei de passar pra ser uma pessoa experiente? Conversando com pessoas mais velhas, ouvindo tantas historias parece que não vivi quase nada ainda e isso me da vontade de fazer milhões de coisas de uma vez, abraçar o mundo como se eu não pudesse deixar escapar nada, não pudesse deixar nenhum detalhe passar despercebido e ao mesmo tempo quero apenas ficar deitada no sofá, agarrada com meu livro e afundada em um monte de almofadas. A única coisa que fica martelando na minha cabeça é como vou começar uma historia pros meus filhos e netos, como vou continuar a clássica frase na minha época... ’’. Quero ter algo interessante pra contar pra eles. Bom, talvez meus netos gostem de ouvir isso, ouvir que passei metade dos meus dias fazendo exatamente nada, vivendo mais tempo num mundo escrito por outra pessoa do que no meu próprio mundo. Tantas coisas passam na minha cabeça ao mesmo tempo, tantas ideias piscam como um flash e depois somem, mas afinal que tipo de pessoa madura eu quero ser, se nem ao menos sei terminar um texto mais?

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