‘’Com meu diário, quero dizer que pretendo ir mais adiante; não posso me imaginar vivendo como mamãe e todas aquelas mulheres que cumprem suas obrigações e mais tarde são esquecidas. Eu preciso ter algo mais que um marido e filhos, algo que possa me devotar totalmente. Quero continuar vivendo depois da minha morte. ‘’ – Anne Frank
sábado, 29 de dezembro de 2012
Lembranças
Sabe quando você está num lugar completamente comum
pensando nos seus compromissos e está atrasado e com muita pressa? Ou quando
está pensando em todas as coisas que
você tem que fazer? E então do nada você sente um cheiro que já sentiu
antes, isso acontece? E esse cheiro faz você lembrar um momento que marcou sua
vida, e que não voltará mais. Às vezes isso acontece comigo. Numa cena
qualquer a gente olha, a gente pensa. Pensa em nada, pensa em tudo. Só pensa. A
gente recorda, a gente grava, a gente substitui… Velhos cheiros, velhas
imagens, velhos toques e quer saber? De velho, quem não quer saber sou
eu. Reviver as vidas antigas, amar os amores antigos, dizer as palavras já
ditas. Como num vinil riscado, onde o gramofone apenas repete… E repete e
repete e repete. Alcancei um ponto no qual conclui que quem olha pra trás
tropeça no que está bem à frente. Embora relembrar seja natural, o que me faz
mal é que eu não sei separar as lembranças, escolher entre ter as boas ou as
ruins. O pior é quando a lembrança boa machuca, a lembrança boa trás saudade,
trás culpa. Culpa em saber que poderia ter sido diferente, mas simplesmente,
não foi. Nunca foi. As lembranças são o que de melhor carrego em mim, carrego
de mim. Lembranças fúteis, lembranças importantes, lembranças assustadoras.
Por muito tempo ainda vou me lembrar de como eu sempre esqueço de fechar a porta do
armarinho antes de levantar a cabeça na pia, do mesmo modo como eu sempre vou me
lembrar do quanto eu desejava o abraço de um certo alguém, eu sempre vou me
lembrar do quanto eu fui feliz ao lado de certas pessoas. Lembranças têm
tamanhos e pesos diferentes, mas sempre a mesma importância. Acho
que se a nossa memória grava algo é porque, em algum momento, aquilo nos será
necessário. Às vezes para nos fazer rir ou às vezes nos fará chorar, mas sabe,
elas não fazem isso de propósito. As lembranças vêm nas melhores das intenções.
Elas vêm pra nos mostrar o quanto valeu a pena cada passo dado, cada passo
errado. Lembranças são sempre boas, ruim
é não ter nada importante pra guardar.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário